CULTura à sECO
quarta-feira, 6 de maio de 2026
A Música de Custódio Mesquita (Odeon - 1957)
quarta-feira, 29 de abril de 2026
Federico Garcia Lorca: 12 Canções Para 2 Violões - Nota Da Contracapa
"Cuando yo me muera
Enterradme con una guitarra
Bajo la arena" (1931) Federico Garcia Lorca
Sabemos que Federico Garcia Lorca desejou ser sepultado com uma guitarra. Como o poeta, a guitarra nasceu na Andaluzia e, por enganoso que possa parecer tal paralelismo cronológico nada nos impede de meditar sobre o fato de que Lorca havia consagrado a música e a guitarra suas primeiras confidencias artísticas.
Sabemos que a pintura e o desenho foram sua segunda paixão antes que a poesia escrita não arrebatasse completamente os recursos expressivos desse filho de Granada. Todos os biógrafos, enfim, insistiram na amizade muito viva que o unia a Manuel de Falla: talvez esteja aí o segredo do abandono muito precoce da música, pois, malgrado uma cortesia legendária, a vida, a obra e a ética do maior dos musicistas espanhóis tinham tudo para intimidar a vocação ainda malafirmada do estudante (Lorca se licenciou em Direito em Granada em 1923; Falla oferece então ao publico seu Ratablo de Maese Pedro. O concerto para o cravo só apareceria três anos mais tarde, Falla sería, a parti daí, de uma exigência tal que, pouco depois, só o silencio restou.)
Freqüentemente se insistiu no caráter terreno da poesia de Lorca, aos seus anos de juventude (passado sob o domínio familiar), o autor do Romancero Gitano deve, entre outras coisas, uma rara faculdade de encerrar numa poesia, ao mesmo tempo direta e erudita, tanto a vivacidade andaluza quanto o seu “sentimento trágico da vida”.
O sucesso de Lorca junto a toda categoria de leitores não tem outras razões, não mais que o sentimento de autenticidade que ele procura, permanecendo sem cessar na vanguarda e atento as correntes mais avançadas da criação artística.
Este enfoque por certo esquemático da obra literária parecia necessário para uma justa apreciação da musica deixada pelo poeta pois esta, embora em grau de menor afirmação, revela exatamente as mesmas dosagens. Não se trata aqui do abandono de um “violino de ingres”, logo deixado por uma lira melhor, mas precisamente de um primeiro estado do pensamento criador de Lorca e quase uma primeira definição (musical, mas porque levantar barreiras entre as diferentes artes?) dos fins que ele pretendia tanto no lirismo escrito quanto em sua obra teatral.
Trata-se, com efeito, de harmonizações de cantos populares ouvidos desde a infância mas os quais o jovem musico (e aqui a influencia de Falla é muito sensível) se esforçará para dar uma feição em que o conhecimento e a precocidades do pormenor serão menos ornamentos superacrescentados que uma maneira refletida de lhes designar a crueza essencial, a universalidade expressiva. Quando a maneira dos dramaturgos do Século de Ouro (e de Shakespeare), nosso autor dramático entrecorta seus diálogos com adaptações novas de canções comparáveis características, ele não procede de maneira diversas, usando ornamentos cênicos (um ator cantarolando) para melhor fazer sentir o núcleo dramático. Nos poemas do mesmo modo, as precocidades da linguagem como as metáforas expressivas herdadas por vezes do Cultismo de Gongora, não apenas não excluem mas ainda avivam a intensidade da evocação, liberando o sentido em vez de o dissimular sob o que chamamos, não raro por antífrase, as “flores de retórica”.
Retórica florida, justamente, como a de Lorca, paradoxo que por si só justifica e torna agradável, por exemplo, esta improvisação sobre os famosos Cuatro Muleros (no começo da segunda face), no curso da qual o tema conhecido só aparece no final, depois de muitos acordes e outros tantos meandros melódicos, como de surpresa, de uma maneira de humor satisfeito profundamente espanhol (em graus diversos, a absorveção vale para todos os motivos celebres que aqui ouvimos: Anda jaleo. Sevillanas del siglo XVIII, El Vito, Café de Chinitas).
Por certo, todos estes motivos populares são andaluses. Nenhum outro seria suficientemente ajustado com a alma profunda de Lorca: aqui, ainda, a diferença se assinala diante das pesadas "harmonizações" que eram a regra de muitas escolas do começo de este século. Não são obras de aprendiz, mas musica de estética já madura, que sabe perfeitamente que campo deve ser cultivado, com exclusão de qualquer outro.
Sabemos que antes da morte de Lorca numerosos de seus poemas haviam tornado, por assim dizer, a sua origem, propagados pelas ruas anonimamente, ou eram ditos, espontaneamente, como expressão nova do mundo do qual haviam fixado a quintessência. Cumpre ver uma simplicidade menor nestas harmonizações sinuosas e confiadas a duas guitarras? Admiraremos, como nos poemas de maior vida, a finura da escrita e esta faculdade muito impressionante de ter, apesar de tudo, o ar de ser despojado ou pelo menos LÍMPIDO.
Notemos, enfim, que num desenho freqüentemente publicado, como num poema famoso, Lorca se refere à antiga guitarra, a de antes do século romântico, instrumento que só tinha cinco cordas (1). O futuro poeta havia aprendido musica (ele era também pianista) com sua mãe e sua tia; mal podemos crer que essa pratica familiar tenha sido preocupação da antiga tradição a ponto de não admitir senão um instrumento do século XVIII. Temos ai a simples preciosidade arcaica ou cumpre ver um efeito desse despojamento e desse gosto de sonoridades mais contidas dos instrumentos antigos, de que Falla se faz apóstolo? Eis um detalhe da legenda de Lorca que nem os musicólogos espanhóis nem os numerosos admiradores do poeta pensaram, parece, em esclarecer.
Marcel MARNAT
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(1) Oh, guitarra!/corazón malherido/ por cinco espadas
sábado, 18 de julho de 2020
Ringo Starr: Qual o lugar de uma estrêla?
Em seguida vem George Harrison, um competente guitarrista, compositor e interprete de suas músicas, na preferência do público em geral. Mas..., e o Ringo?
Qual o seu lugar?
Muito provavelmente é uma lenda, mas se comentava na época que John Lennon teria dito: “Quando somos aplaudidos após uma música, me sinto como fôssemos o máximo, mas ao me virar para trás vejo que somos apenas pessoas comuns”, numa referência ao baterista da banda.
Quando cada componente dos The Beatles foi gravar o primeiro álbum solo, que basicamente era uma extensão de suas obras anteriores, Ringo vai de mala e cuia para Nashville, o coração do “country music”, a fim de gravar o álbum "Beaucoups of Blues".
terça-feira, 14 de julho de 2020
Ed Benguiat, criador de fontes
Felipe Taborda
Especial para O GLOBO(03/05/2001)
Um dos inúmeros adventos da tecnologia possibilitada pelos computadores é que estes dão a sensação, a qualquer pessoa com limitados conhecimentos artísticos, de que é um designer gráfico. Esta ilusão, às vezes eufórica, é estendida também aos próprios designers gráficos, quando o assunto é desenho de letras. Os computadores possuem um programa específico para criar tipografias rapidamente, transformando assim todo e qualquer designer em um criador de tipos. Não há, hoje em dia, quase nenhum designer gráfico no mundo que não tenha desenhado seu próprio alfabeto e, é claro, na maior parte dos casos utilizáveis apenas em criações próprias, tal a ilegibilidade e falta de conceito que apresentam.
Criações que se impõem pela originalidade
Antes de tudo isso acontecer, em uma época em que não havia computadores, poucos designers se aventuravam a criar um alfabeto pessoal. Este trabalho exigia o desenho minucioso de cada letra, uma por uma, maiúsculas e minúsculas, e toda sua série de variações, tais como itálico (a letra inclinada), versões bold ou semi-bold (a letra um pouco ou mais gorda), condensada, estendida etc, etc. Para alguém ousar desenhar tudo isso era fundamental que sua criação apresentasse conceitos básicos sólidos, pois o enorme tempo gasto para realizar tudo isso não se justificaria apenas para uma experiência. Daí a longevidade da maior parte das criações de mestres designers do passado, tais como Herb Lubalin, Adrian Frutiger e Eric Gill, entre outros, e alguns poucos contemporâneos, tais como Zuzana Licko, Neville Brody e Barry Deck.
sábado, 13 de julho de 2019
O jazz na guitarra de Emily Remler
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019
"We Insist!" O grito do jazz pelos direitos civis
Por Felipe Pontes, Jornalistas Livres
“We Insist! – Freedom Now Suite”, álbum do lendário baterista Max Roach, em co-autoria com Oscar Brown Jr, completa 60 anos desde seu início de produção em 1959, e lançado oficialmente em 1960, o álbum é importante na conjuntura dos movimentos de protestos afro-americano na década de 60 e um dos principais registros da aproximação do jazz com os temas políticos do seu tempo, que ganhou força naquele período com nomes como John Coltrane, Charles Mingus e Nina Simone. Sua forte mensagem, porém, continua relevante nos dias de hoje. ver+
segunda-feira, 17 de dezembro de 2018
domingo, 4 de novembro de 2018
Não há linha divisória entre o cordel e a literatura padrão, diz escritor
Por Vitor Nuzzi, da RBA
sexta-feira, 12 de outubro de 2018
quinta-feira, 30 de agosto de 2018
Traços Brasileiros - Centro Cultural Light (RJ)
Segunda-feira, Terça-feira, Quarta-feira, Quinta-feira, Sexta-feira das 09:00h às 19:00h
Centro Cultural Light (CCL) - Av. Mal. Floriano, 168 - Centro - Rio de Janeiro - RJ
domingo, 5 de novembro de 2017
Documento da Marinha Argentina Comprova Que Musico Brasileiro Morreu Sob Tortura
DOCUMENTOS REVELADOS
sexta-feira, 27 de outubro de 2017
Festa da Penha: germe das escolas de samba
Por Jacir Roberto Guimarães, no GGN
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