Sêlo: Copacabana
01 – Diz Que Fui Por Aí (Zé Keti / Hortêncio Rocha)
02 – Jogado Fora (João Mello)
03 – Fly Me To The Moon (In The Words) (B. Howard)
04 – Days Of Wine And Roses (Henry Mancini / J. Mercer)
05 – Garota de Icaraí (Avarese / Jean Pierre)
06 – Sabor a Mi (Álvaro Carrillo)
07 – I’m So In Love (H. Land)
08 – Eu Sei Tu Não Sabes (Carlito / Romeo Nunes)
09 – The Right Thing To Say (S. Gallop / Chester Cann)
10 – Bossa na Praia (Pery Ribeiro / Geraldo Cunha)
11 – Acorrentados (Encadenados) (C. A. Briz)
12 – Lado Bonito de Um Mal (Billy Blanco)

Não
acredito muito que alguém se preocupe com o texto da contracapa de
um bom LP. Acho mesmo que, em se tratando de Moacyr Silva, o público
adquire o disco sem maiores hesitações, assim como quem compra um
uísque sem se importar com o invólucro, porque o bom está dentro
da garrafa. Já assisti gente pedindo, em balcão de loja de discos,
LP desse admirável saxofonista, sem ver até mesmo o repertório na
gravação. O pretexto do comprador, de uma maneira geral, era este:
— "É LP do Moaça ? Então me dá porque é bom!" O
sôpro de Moacyr Silva é dessas coisas que tem marca registrada. É
um logotipo musical, marcante, inconfundível e que vale como
atestado de excelência para qualquer disco. Não obstante êsse
prestígio, êle não se descuida um milímetro da dimensão
qualitativa dos seus discos. Escolhe as músicas à maneira de
gourmet exigente, que procura sofregamente condimentos de
regiões mais distantes do mundo, a fim de incluí-los num "prato"
digno do paladar de deuses. Moacyr Silva seleciona a dúzia de
músicas de seus discos ascultando os amigos e o gôsto do público.
Emociona-se com as melodias e se entende que as músicas também
sensibilizarão os outros, aí dá-lhes um "aprovo"
consagrador. Neste LP, por exemplo, ele reuniu o samba de
bossa-eterna, de bossa-nova, a canção que é tôda trepidante como
a própria época em que vivemos — e também a música de ternura,
que envolve a alma da gente, diluindo agruras e trazendo novas
esperanças. Querem exemplos? Ouçam êste "Diz Que Fui Por Aí",
samba que é a propria canção do homem livre e feliz. Depois, o
"Bossa na Praia", com o balanço que é o próprio sêlo da
música brasileira moderna. E tem o "Fly Me To The Moon",
que é mostra exuberante do que se imaginou para tornar mais vibrante
o baile de brotos — e adultos, também! No fim do LP, Moacyr Silva
aparece com uma nova pequena obra-prima de Billy Blanco, tipo da
coisa admirável até no título, vejam; "Lado Bonito de um
Mal". E que dizer, então, do toque novo e terno que ele dá ao
penetrante "Days Of Wine And Roses"? E, vejam só, esta
aqui quem dizia que não acreditava ser necessário dizer qualquer
coisa em capa de LP!... Na verdade, e para encerrar o assunto, disco
de Moacyr Silva vale sempre por dois: vale para se ouvir muitas
vêzes. E se dançar ainda mais. É dêsses LPs que a agulha da
vitrola da gente acaba conhecendo todos os "caminhos" dos
sulcos. De tanto percorrê-los...
BORELLI
FILHO
(Chefe
da redação da
"
Revista do Radio" e programador
da
Radio Roquete Pinto)